Look do dia da minha vida online

junho 07, 2022

    Ontem eu decidi organizar o meu guarda-roupas. Apesar de ter me tornado uma dona de casa bem chata e dedicada, por dentro eu ainda sou uma adolescente bagunceira. Odeio ver roupa jogada em cima da cama, então eu junto tudo em um bolo e enfio dentro do guarda-roupas. Um armário tão bagunçado quanto eu. Aliás, eu prefiro que a bagunça fique escondida lá dentro ao invés de deixar do lado de fora, onde as pessoas podem ver. Não é assim que a gente faz com os sentimentos? Pois bem. Eu até tento, mas a organização só dura duas ou três semanas. Então, de tempos em tempos dedico algumas horas a organizar tudo aquilo. Calças dobradinhas, casacos pendurados. Roupas de academia em caixas organizadoras e calcinhas nos gaveteiros. Mas ontem foi diferente.
    Entre tantas descobertas no meu próprio armário (sim, porque as coisas ficam tão caóticas lá dentro que as vezes eu até esqueço algumas peças que tenho), me deparei com um questionamento: de quem é esse guarda-roupas? De quem é esse vestido de babados e esse vestido laranja? A quem pertence essa bota de cano alto e esse casaco estampado? E ai eu me dei conta de que poucas coisas ali eram realmente minhas. O meu guarda-roupas, na verdade, era da Ana do dia. Tantas coisas ali guardadas com o único intuito de “produzir conteúdo”. Afinal “as cores vão ficar boas na câmera” e “ta todo mundo usando, eu preciso produzir sobre também”...
    E no dia-a-dia quase nada era realmente usado. No dia a dia eu me olhava no espelho e pensava “daria um bom conteúdo para o Instagram, mas não sei se quero sair com isso”. Eu era refém da minha própria rede social. Mas pensando bem, quem não é? A gente vive na era do “tudo por like” e eu, que sempre abominei essa ideia, estava ali pagando a língua, com um guarda-roupas cheio de peças cenográficas, que não me serviam na vida real.
    Tenho percebido uma mudança no meu estilo há meses. Talvez a gente converse sobre isso outra hora, mas eu fui do colorido Lele Burnier ao preto clássico da Vic Hollo. E quando eu pensava que tinha me encontrado em um, dava de cara gostoso na parede e queria voltar para o outro. E nessa situação, mais bagunçada que o meu guarda-roupas, eu ia tentando entender. Me entender.
    E tudo aquilo jazia ali, guardadinho em meio à bagunça. E tudo permanecia ali, sem ir embora por que fazia parte do look do dia da minha vida online. Vida de Instagram não quer dizer vida real, e essa frase nunca fez tanto sentido pra mim. Ontem foi sobre colocar tudo no lugar, mas semana que vem vai ser sobre tirar da frente aquilo que não cabe na minha realidade. Tá decidido: meu armário não pode ser sala de figurino de ninguém, nem dessa tal @anadodia.

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